Embora o filme seja bem claro no que quer passar, sua temática é muito complexa. Eu queria, pelo menos, ter tido a competência de ter lido o livro para não ficar tão acanhado por possuir um conhecimento tão raso a respeito de tal. Farei um breve comentário do filme, pois, até onde minha miopia intelectual permitiu que eu enxergasse.
Por falar em não enxergar…
A obra adaptada do romance de José Saramago, fala de uma cegueira que atingiu a população repentinamente, safando o personagem de Julianne Moore (esposa do doutor). Os afetados são colocados em quarentena à mercê do Estado e a esposa do doutor (Mark Ruffalo é o doutor) finge a cegueira para acompanhar o marido. E é nesse contexto que o ser e o humano entram em conflito.
A trama é brutal e sensível, ao mesmo tempo, porque sua metáfora está escancarada e o espectador facilmente capta a mensagem; e o filme faz sua reflexão e não joga todo o trabalho para o cinéfilo. Assim como Saramago disse ter sofrido escrevendo o livro e assistindo ao filme, sofremos também quando assistimos e paramos para pensar que somos seres e humanos e que, uma hora ou outra, um desses sobressai.
A direção de Fernando Meirelles é muito competente e ousada, como de costume, e as outras partes técnicas, como a fotografia “branca”, funcionam tanto quanto. O elenco conta também com Danny Glover, Alice Braga e Gael Garcia Bernal. Da adaptação do roteiro não posso falar, mas o próprio Saramago disse ao diretor “estar tão feliz de ter visto o filme como estava quando acabou de escrever o livro”. Parece que prestou, né?
O filme é do tipo que me agrada bastante. Agora vou ver se arranjo tempo para ler o livro. Da próxima vez que eu me atrever a analisar obras como esta, não quero ficar limitado a uma análise sem vergonha como a minha. Cultura são os óculos que corrigem visão limitada. Queiram sempre mais.
“- Por que foi que cegamos?
- Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão.
- Queres que te diga o que penso?
- Diz.
- Penso que não cegamos, penso que estamos cegos. Cegos que vêem. Cegos que, vendo, não vêem.”
Isso é tudo, pessoal.
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Ezequiel Fernandes










Gosto tanto do filme quanto do livro. Acho o filme uma adaptação incrível – por mais que a obra literária de Saramago ainda se sobressaia – e passa aos poucos mensagens sobre a humanidade corruptível, que almeja o poder, que esquece a razão construída ao longo de uma história em poucos dias numa situação de desespero. É a luta por sobrevivência numa epidemia estrelada por uma Julianne Moore que não me deixava tirar os olhos da tela.
Abraços!
Ótima escolha! O filme é fantástico e muito fiel a obra literária. É deslumbramento certo tanto o livro quanto o filme!
Grande texto Ezequiel! Eu lembro que fiquei meio angustiada assistindo o filme. Ele nos leva a perceber que no final das contas, numa cidade inteira de cegos, sofre é aquele que tudo vê.
Infelizmente tb não li o livro…
Abs!
Valeu, Natalia! É exatamente isso que você disse o que eu senti depois de assistir ao filme. Beijão e obrigado pela parceria!