JUNHO (COPA DO MUNDO)

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E finalmente chegou a edição de junho da série, “Filmes para se guardar e filmes para se queimar”. E como não poderia ser diferente, o tema do mês é… Copa do Mundo. Se o assunto é só o que você ouve por aí, aqui vai ser do mesmo jeito. Sim, em um blog sobre cinema. Aí você imagina: já é difícil achar um filme sobre futebol que preste, imagina um sobre copa do mundo. Pois te digo que tem sim. E uns muito bons. Mas claro que a grande maioria não são tão contempláveis assim. Então trazemos para vocês uma excelente produção, e um grande fiasco, a respeito da tão amada época de Copa do Mundo de Futebol.

 

FILME PARA SE GUARDAR – O MILAGRE DE BERNA (2003)

Filme sobre futebol (com qualidade) não é o que se encontra por aí. Se por acaso encontramos um, é uma historinha de uma turma de amiguinhos que montam um time no colégio (ou faculdade, sei lá), que são totalmente desacreditados (não jogam nada) e que de repente, o inacreditável acontece. Eles ganham o campeonato (estadual, inter colegial, que seja) justamente em cima daquele time de craques que todos temem. É sempre a mesma coisa (em qualquer esporte). Sempre. Qualquer pessoa já sabe o que está por vir em um filme como esses.

O que eu estou querendo dizer (fora que são super clichês) é que, você assiste a um filme assim, e no final diz: “poxa, isso nunca aconteceria na vida real”. Foi para isso que fizeram “O Milagre de Berna”. Para que gerações e mais gerações possam ter conhecimento do que aconteceu no Mundial de Futebol de 1954. Não é um filmezinho sobre futebol qualquer, em que moleques (que a princípio não sabem nem chutar uma bola) vencem um torneio. Aqui são mais quinhentos. É uma Copa do Mundo gente. Aconteceu de verdade.

Bom, como já puderam perceber, o filme é embasado na Copa do Mundo de futebol de 1954, quando a seleção Alemã levou para casa seu primeiro título mundial, vencendo a poderosa Hungria. Em cima disso, são mostradas duas histórias paralelas. Uma família tenta se reestruturar após o retorno do pai, soldado alemão, que cumpriu pena de onze anos na Rússia por crimes de guerra. Um jornalista esportivo recém casado, com lua de mel marcada, é incumbido de cobrir a copa na Suíça (para o transtorno de sua esposa, que não consegue entender como homens passam noventa minutos assistindo outros “vinte e quatro” correndo atrás de uma bola). Tudo isso em cima de um magnífico contexto histórico, no qual temos uma Alemanha pós segunda guerra, tentando se reconstruir em pleno início da guerra fria, e apostando no futebol para unir a população.

Matthias (Louis Klamroth),  filho caçula da família, é fanático por futebol, e tem o jovem jogador de sua cidade, Helmut Rahn (Sascha Gopel), como ídolo e amigo. Matthias carrega sua bolsa até os locais de treino a troco de assistir as partidas de graça. Helmut Rahn, conhecido como “The boss”, seria posteriormente convocado para compor a seleção campeã. Mas, o ponto central trazido pelo filme, é a histórica vitória alemã na final da copa da Suíça jogando contra a seleção húngara. A Hungria chegou à final como favorita, com uma média de 5,4 gols por partida, tendo vencido a Alemanha na primeira fase por 8×3. Um resultado completamente desestimulante para qualquer time que almeja o título.

Toda a trajetória da então Alemanha Ocidental na copa do mundo, é acompanhada pelos olhos do pequeno Matthias, que torce para que seu amigo possa entrar em alguma partida e fazer gols. O menino acredita cegamente que ele (The boss) só joga bem com sua presença em campo. Helmut, que ficou a primeira rodada no banco de reservas, quando escalado para compor o time titular na final, fez dois, dos três gols da virada em cima da Hungria que vencia por 2×0. O fato ficou conhecido como “O Milagre de Berna” (por causa da cidade onde se realizou o confronto).

O filme não é só bola no pé. Longe disso. Aproveita-se de um fato marcante na história do futebol, para poder, com emoção, refletir acerca do amor fraternal, e dos dramas que uma família pode passar. O diretor alemão Sönke Wortmann transmite, com realidade, o ambiente frio e mórbido que a Alemanha carregava depois da década de 40. Tem uma belíssima fotografia e roteiro muito bem escrito, que conduz com perfeição essa produção que é indispensável, não só para os cinéfilos, como para todos os amantes do futebol.

 

FILME PARA SE QUEIMAR – CASSETA & PLANETA: A TAÇA DO MUNDO É NOSSA (2003)

Não dá para esperar grandes acontecimentos em um filme do “Casseta & Planeta”, mas esse aí é um teste  de paciência. “Casseta & Planeta: A Taça do Mundo é Nossa” toma como ponto de partida o roubo da taça Jules Rimet, entregue ao Brasil pelo tricampeonato de 1970. No filme, o crime é cometido por um revolucionário (Bussunda), um maconheiro (Hélio de La Peña) e um cover de Roberto Carlos (Hubert), sob o pretexto de combate à ditadura militar. Deveria ser uma comédia, mas é chato demais e mata o espectador no cansaço.

Eles queriam fazer um filme de besteirol. Nós gostamos do estilo besteirol, qualquer dia desses, podemos indicar alguns filmes ótimos do tipo aqui no blog. Ocorre que as piadas do pessoal do Casseta não funcionam por dois motivos: são ruins e os atores são péssimos. E no quesito “interpretação fraca” devemos colocar em evidência Hélio de La Peña e Bussunda, que conseguiram ficar mais artificiais do que no programa de televisão (humor é um negócio relativo, certo, mas aquele programa é fim de carreira).

A gente vê merchans bem descarados. Os ladrões da taça fugiram dos militares viajando para a Amazônia em um avião que carregava uma faixa divulgando o desodorante Axe. Na verdade nem dá pra saber se era o avião dos ladrões. Não importa, algum avião puxava a faixa, OK? Na Amazônia, encontraram Che Guevara, que também usava Axe. Em outra cena, apareceu um Polo Sedan. Posteriormente, lá no desfecho, Hubert tenta fazer graça usando metalinguagem em relação à propaganda do carro. Esses patrocinadores devem estar arrependidos até hoje.

Observa-se também que neste filme o final não existe. Isso não é mérito de algum elemento surpresa, ou de uma interrogação proposital do roteiro, mas os caras deviam realmente estar sem idéias, precisavam dar uma reforçada no merchan do Polo Sedan e acabaram encerrando de qualquer jeito. Só conseguimos chegar ao fim, porque achamos que deveríamos postar essa porcaria no “filmes para se queimar”. Portanto nem comece, você não vai ter saco pra seguir em frente.

Como não encontramos o trailer do filme (de tão ruim que é), colocamos aqui uma cena para vocês tirarem as dúvidas (se ainda restam) quanto à sua qualidade.

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Equipe Cinemafia

7 respostas para JUNHO (COPA DO MUNDO)

  1. Igordx disse:

    esse longa do CASSETA & PLANETA não vou perder meu tempo assistindo, logo mais agora!
    ____

    Já esse sobre a COPA DO MUNDO, eu já assisti o trailler mas ainda não consegui assistir ele, algum dia eu conseguirei!!! HAHAHAH

  2. Natalia Xavier disse:

    Achei interessante este O Milagre da Berna, vou assistir!
    Qto ao Casseta & Planeta, já imaginava mesmo que não seria nada digerível… rs

    Obrigado pelo comentario no Le Matinée! Gostei do seu tb, vou linká-lo lá!

    Abs!

  3. Natalia Xavier disse:

    hahahaha normal! Chamo todo mundo de cara tb!

    Blog linkado!

    Abs!

  4. ::: “O Milagre de Berna” é lindo, sensível, estimulante. O final é emocionante. Como vc bem escreveu, não é só futebol. É a família tentando se reestruturar com a volta do pai da guerra, são os alemães com a mesma sensação de derrota que todo brasileiro tem na Copa – somos todos iguais, enfim. A cena em que o jogador alemão está desolado em campo, na final, e vê o pequeno Matthias olhando para ele… O pai dando um tapa no menino antes disso… O pai se tocando e levando o garoto para o estádio… Assino embaixo do post e recomendo muito!

  5. Hudson Cardins disse:

    Assisti a taça do mundo é nossa no cinema! :(

  6. gabriel disse:

    casseta e planeta já é bom na tv (hj nen tanto). não deve decepcionar no cinema. já vi o segundo filme deles e aprovei. só de ver o trailer adorei, quero ver se o filme em si vai corresponder minhas espectativas

  7. ACN disse:

    Aqui no Brasil, os piores filmes é os dois do casseta e planeta e Deus é brasileiro. Filmes totalmente dispensáveis. Não rebaixando (até porque curto muito), Os filmes da época da pornochanchada são beem melhores e teem muito mais história. Realmente “Filme para se queimar” e apagar da memória!

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