De frente com a Máfia – TORQUATO JOEL

___________________________________________________________________________

Bom galera, teremos hoje o início de uma nova série aqui no Cinemafia que se chamará “De frente com a Máfia”. Aqui nós faremos entrevistas (sempre que possível) com figuras importantes no cenário cinematográfico nacional (quem sabe até internacional rs) e que trouxeram contribuições significativas para o cinema.

E a entrevista de estréia é com o premiado cineasta paraibano Torquato Joel. O curtametragista, natural de Souza – PB, estudou comunicação social na Universidade Federal da Paraíba e realizou estudos sobre o cinema direto no Atelier de Réalisation CinématographiqueVarennes (Paris). Alguns de seus filmes são: “O Verme na Alma” (1998), “Passadouro” (1999), “Transubstancial” (2003), “Estes” (2010).

Então vamos conhecer um pouco desse diretor, vencedor de prêmios em todo o Brasil por seus trabalhos inigualáveis.

CINEMAFIA: Fazer cinema, sonho ou acidente?

TORQUATO: Sonho. Quando cheguei em João Pessoa, lá pelos meus 14 anos, passei a freqüentar o cinema de arte da sessão do sábado pela manhã no então Cine Municipal. Enquanto meus amigos iam à praia nos dias de sol, eu me enfronhava numa sala para ver o mundo. Posteriormente, quando entrei na universidade, no curso de engenharia, não imaginava que seria possível fazer cinema na Paraíba. Sou avesso à matemática mas iniciei o curso para agradar meu pai. Certa vez, assisti a trabalhos feitos em Super 8 por alunos da UFPB, foi então que decidi largar engenharia para estar mais perto do cinema através do curso de Comunicação Social.

CINEMAFIA:  Sobre a primeira produção cinematográfica, quais as lembranças?

TORQUATO: O título é “Imagens do Declínio”, inspirado em um poema do concretista Décio Pignatari, foi realizado com um amigo, Bertrand Lira, de forma precária mas teve uma repercussão na época: conseguimos lotar por duas sessões o Teatro Lima Penante da UFPB durante o lançamento. Recentemente Arlindo Machado, professor e pesquisador da Escola de Cinema da USP, incluiu o filme num panorama sobre o super 8 brasileiro dos anos 70, apesar do filme ter sido realizado no inicio dos anos 80.

CINEMAFIA: Que tipo de trabalho você ainda não fez mas deseja realizar?

TORQUATO: É sempre o próximo filme. Na verdade não sei o que está por vir. As inspirações me chegam involuntariamente, me acordo na madrugada com uma imagem na cabeça e a ideia vai tomando corpo nos dias seguintes. É fato também que no meio cinematográfico existe o pensamento de que necessariamente se deve chegar ao longa. Às vezes me sinto “contaminado” por essa visão, mas está na minha natureza a síntese. Não sou de contar uma história, mesmo numa conversa, de forma prolongada. Sou um cara de elipses! (rs) Quem sabe faço qualquer hora dessas um roteiro para longa  a partir da junção de vários curtas.

CINEMAFIA: Por quê curta metragem?

TORQUATO: Porque é a linguagem da síntese em um tempo de tanta informação pulverizada e uma infinidade de canais possíveis. Porque no curta você tem toda liberdade para experimentar. Porque no curta, as brechas, que não prejudicam a possibilidade de entendimento da narrativa, são o mote para o exercício do raciocínio do espectador. Na minha visão colocar o espectador pra pensar é função da arte sim!

CINEMAFIA: Quais as suas principais influências?

TORQUATO: Não sei de que forma acontece, e se é que acontece, uma influência dos filmes de Tarkovsky, Bresson e Kubrick, só para citar três dos grandes. Sei que o apuro estético nos filmes desses mestres me interessa e acho que é o que há de mais primoroso em termos de linguagem de cinema.

CINEMAFIA: Quais as contribuições mais significativas do cinema francês para seu trabalho?

TORQUATO: Não creio que a formação que tive no Cinema Direto com os franceses seja hoje uma influência forte nos meus filmes. Muito pelo contrário, rompi completamente com as regras do Cinema Direto. Entretanto, considero importante a disciplina e o rigor da pesquisa que aprendi com eles. Do cinema francês em geral, posso dizer que o cinema de Robert Bresson me comove muito.

CINEMAFIA: Você costuma ser auto biográfico em suas obras?

TORQUATO: Às vezes acontece de uma cena do meu passado, um fragmento, ser incluído num roteiro. Em Passadouro, a imagem de um velhinho ouvindo um rádio veio de uma referência de minha infância.

CINEMAFIA: Quais diretores brasileiros lhe despertam atenção?

TORQUATO: Da safra mais recente, tenho atenção pelos documentários dos cearenses do “Alumbramentos”. A inconformidade com relação à forma tradicional do documentário é algo que persigo faz tempo: dissolver a ideia já tão discutida no meio cinematográfico de que o documentário recusa o espetáculo, um principio essencial da sétima arte, e que o livre exercício do imaginar pode também acontecer nos filmes não-ficcionais. Isso é algo por demais instigante!

CINEMAFIA: Um filme marcante para você.

TORQUATO: Citar um só filme é restritivo demais, mas me vem agora falar em “Barry Lyndon” de Kubrick, um primor em termos de apuramento estético pelo equilíbrio entre  som e ação com “timing” preciso dos atores, pela  cenografia detalhada. Detalhes são fundamentais para a devida densidade de um filme.

________________________________

Equipe Cinemafia

2 respostas para De frente com a Máfia – TORQUATO JOEL

  1. Renan disse:

    Massa.

  2. Jitana Cardins disse:

    Muuito bom!
    Torquato é mesmo uma figura digna de entrevista publicada aqui no Cinemafia!! hehe

    PS.: A introdução ficou ótima!

    Parabéns!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: