Projeto Grindhouse – Parte 2

À Prova de Morte

“À prova de morte” foi dirigido por Quentin Tarantino, pertence ao projeto Grindhouse, e foi lançado originalmente em sessão dupla, junto com “Planeta Terror”, de Robert Rodriguez, já analisado AQUI no Cinemafia por este que vos escreve. O projeto reverencia filmes antigos exibidos em sessões drive-ins. As distribuidoras lançaram no Brasil, primeiro “Planeta Terror” em 2007 e “À prova de morte” apenas em 2010.

Jungle Julia (Sidney Tamiia Poitier), Shanna Banana (Jordan Ladd) e Arlene (Vanessa Ferlito) são três gatinhas do Texas que fumam maconha, gostam de marguerita e saem para aproveitar a noite do jeito delas. Na verdade Arlene não é tão gatinha assim, porque Vanessa Ferlito tem nariz de Michael Jackson, o que se revela uma informação totalmente desnecessária, mas que eu estava com vontade de compartilhar com vocês. Deve ter sido uma cirurgia plástica mal sucedida, sei lá. Prossigamos.

Inicialmente, acompanhamos as garotas se divertindo por longo período num bar. Quem conhece Quentin Tarantino sabe que ele gosta de dar aquela chafurdada segura no sangue, e criou um tipo de violência pop, com a qual nos deliciamos, ainda que esboçando caretas. Porém, em “À prova de morte”, o tempo foi passando, comecei a sentir falta do sangue comendo solto e passei a achar que Tarantino estava muito comedido pra o meu gosto. Na metade do filme, ele nos dá como aperitivo a cena da batida. Logo adiante, comento sobre ela.

Ainda no bar, conhecemos Suntman Mike (Kurt Russell), um dublê sádico que tem um carro, segundo ele, à prova de morte, tendo em vista que, sendo carro de dublê, é reforçado nas ferragens e agüenta trancos e barrancos numa boa. Ao sair do bar, Suntman Mike dá carona à Pam (Rose McGowan) e não é muito delicado com a moça. Em seguida, sai em busca das outras meninas para protagonizar a mencionada cena da batida. Só posso dizer que esta cena é rica em detalhes e nos transmite duas lições importantes: 1) Dê razão à Polícia Rodoviária Federal quando ela aconselha a usar cinto de segurança no banco traseiro; 2) Dê razão à sua mãe quando ela manda tirar o pé da janela do carro. Mães estão sempre certas.

Até então, a fotografia e o som do filme apresentavam defeitos propositais, imitando os homenageados filmes B dos anos 70 e 80, tal qual “Planeta Terror”. Depois, passamos para outra fase, onde a imagem e o som ficam limpinhos, a cidade em questão passa a ser Líbano, no Tennessee, o grupo de mulheres muda, porém o vilão continua o mesmo. As mulheres em questão são duas dublês, uma maquiadora e uma atriz. Suntman Mike aparece pra fazer ruindade novamente, contudo imprevistos acontecem e uma reviravolta alucinante nos faz terminar de assistir o filme dando um suspiro de missão cumprida.

Insinuei que Tarantino estava moderado no mela-mela de sangue, mas estava só um pouco moderado. No final, conferimos uma pancadaria muito bem empregada e suas maravilhosas seqüelas. A trilha sonora do diretor, como sempre, é um barato, e eu já separei algumas músicas pra escutar no meu mp4. Os diálogos também seguem sua marca registrada: são longos e aparentemente despretensiosos, porém nunca cansativos. Tem, por exemplo, uma conversa bem natural entre amigas, que, como convém nos filmes do diretor, não aborda de forma perceptível elementos que obrigatoriamente serão tratados no futuro da trama. Mas isso não significa que os elementos não estejam lá, a gente apenas não percebe, porque a conversa é tarantinamente corriqueira (isso mesmo, tarantinamente; o cara é genial a ponto de render variações adverbiais próprias).

As mulheres de “À prova de morte”, como boa parte dos personagens femininos do nosso amigo Tarantino, são raçudas e não pedem arrego fácil. Uma das garotas da segunda fase, Zoë (Zoe Bell), é dublê de verdade, interpreta ela mesma e faz uma sequência perigosíssima, de cara limpa, sem jogo de câmeras. Por causa dela estou com desejo de entrar num curso de dublês – se é que isso existe – e de possuir um Dodge Challenger 1970 branco com motor 440. Acho que vocês também vão querer ter um.

Não percam a análise dos trailers falsos em ”Projeto Grindhouse – parte 3” na próxima quinzena. Até lá.

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Marcelo Cardins

3 respostas para Projeto Grindhouse – Parte 2

  1. Murilo disse:

    Eu não poderia expressar melhor minha opinião sobre o filme!! Simplesmente um dos melhores!! Tarantino é Fródaaa!!

  2. […] em sessão dupla: “Planeta Terror” e “À prova de morte”, analisados por mim AQUI e AQUI. Entre um filme e outro, foram exibidos quatro trailers falsos, produzidos por diretores […]

  3. […] E por último, mas em primeiro, uma fantástica cena que só podia ter vindo da cabeça de Tarantino. Infelizmente essa também é uma cena que compromete o andamento do filme pra quem ainda não assistiu. A escolha é de vocês. “À Prova de Morte” já tem crítica aqui no Cinemafia escrita por Marcelo Cardins, leiam AQUI. […]

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