“Funny Games” Vs. “Funny Games U.S.” (Violência Gratuita)

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Bom pessoal, hoje eu vou falar sobre dois filmes (ou seria um só?) em um texto apenas. Daí vocês se perguntam por que eu não escrevi um texto para cada filme, como é de costume aqui no Cinemafia. Só uma dica. Eu falei no meu último post da necessidade que os americanos têm de recriar grandes obras cinematográficas estrangeiras, à sua maneira e associadas à sua cultura, e, principalmente, no seu idioma. E o que isso tem a ver com isso aqui? Irão entender no decorrer do texto.


Em 1997, o aclamado cineasta alemão Michael Haneke escreveu e dirigiu o polêmico “Funny Games”, que é considerado por muitos como sendo sua obra prima. No filme, um casal e seu único filho viajam de férias para passarem dias tranquilos em sua casa do lago. Mas a tranquilidade não foi com eles. São abordados dentro de casa por dois jovens mentalmente perturbados, que lhes fazem passar por horas de horror com seus Funny Games (jogos divertidos), como o título original sugere (mas de divertidos não têm nada). Pronto. Não quero falar muito mais que isso sobre o filme (por enquanto).

Haneke joga em 108 minutos de imagens, uma dura crítica à intensificação da violência pelos veículos de mídia, principalmente no cinema contemporâneo, no qual encontramos uma exagerada quantidade de filmes que jorram sangue até pelo seu aparelho de DVD. Isso tudo com uma mera pretensão comercial. Haneke então, numa bela de uma tacada, produz um longa violentíssimo que critica a violência. Mas como pode isso? A violência que o filme mostra, é em grande parte emocional, trazendo-nos assim um terror psicológico incrível. Quase não vemos sangue na tela.

Ok. Vamos ao segundo filme (e é aí que vem a curiosidade). Em 2007, a indústria cinematográfica norte americana, sabendo do grande alarde que o filme de Haneke causou na Europa e no mundo, resolveu fazer o quê? Uma refilmagem do subversivo “Funny Games” (e aí entra, como falei no primeiro parágrafo, o incômodo que o público do cinema hollywoodiano sofre ao assistir um filme no qual precise ler legendas). E o interessante é que quem foi convidado para dirigir essa produção foi ninguém mais ninguém menos que o próprio Michael Haneke.

A notícia de que uma nova versão do filme estava prestes a ser produzida, gerou certo desconforto nos fãs, mas deixar a direção nas mãos de Haneke deixou todo mundo mais seguro. Sabiamente o alemão aceitou a proposta, e presenteou os norte americanos com “Funny Games U.S.”. Perguntam-se o porquê de ele ter aceitado um projeto que parecia uma total perda de tempo, visto que refilmagens são encaradas pela grande maioria dos críticos de cinema como desnecessárias. “Funny Games U.S.” não é uma refilmagem qualquer. Haneke numa sacada de mestre filmou tudo exatamente igual como havia feito em 1997. Mesmos quadros, mesmos planos, mesmos diálogos (apenas mudou-se o elenco obviamente). Assim o diretor alemão conduziu sua reflexão para o grande público merecedor de sua crítica, e fez o mundo, conhecedor do seu nome.

Os dois filmes receberam o título no Brasil de “Violência Gratuita”, e por serem iguais, vou tratar da parte técnica do filme como se fosse uma só. A obra possui uma encantadora fotografia dificilmente vista nos grandes blockbusters. Haneke utiliza de diversos artifícios em sua direção para dar certa interação entre o espectador e os personagens do filme (quando algumas vezes temos em nossa tela, o frio assassino nos fazendo questionamentos), e por diversas vezes vemos que na maioria das produções que assistimos, confiamos muito na direção, porque sabemos que mais cedo ou mais tarde ela dará um jeito de consertar tudo, e chegamos a apostar o final do filme com toda certeza. Em “Violência Gratuita” vemos que na vida real não é bem assim. Que nós não temos um controle remoto (remete à fantástica cena do controle remoto que vocês irão ver no filme) que podemos usar para controlar as situações do nosso cotidiano. Principalmente em um caso semelhante ao da narrativa do filme, que infelizmente acontece nas melhores famílias.

A arte imita a vida, mas muitas vezes o cinema esquece essa famosa premissa, e aos poucos vai deixando de produzir filmes verdadeiramente reais. Michael Haneke por duas vezes e da mesma forma conseguiu dar uma lição de moral à sociedade, mostrando que seu trabalho não é mero entretenimento.

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Lincoln Ferdinand

19 respostas para “Funny Games” Vs. “Funny Games U.S.” (Violência Gratuita)

  1. Igordx disse:

    a violencia eh realmente muito usada hoje não somente nos filmes mas pelo meios de comunicação para chamarem atenção do publico.

    eh um verdadeiro “espreme e sai sangue”
    suhaUSHAuhsuhUSHUh

  2. Bruno R. disse:

    Ótima crítica, Lincoln, nem posso comentar muito sobre o Haneke, visto que é o meu diretor favorito, mas os filmes são excelentes; as críticas de Haneke são discretas, sem muitos gritos ou apelação, e é isso que o torna tão genial.

  3. Gabriel Neves disse:

    Haneke é um grande diretor e isso é inegável. Só vi a versão original de Violência Gratuita, e já é o bastante pra eu concordar contigo em tudo. A forma como ele brinca com os personagens para nenhuma reviravolta milagrosa acontecer é genial.
    Abraços.

  4. Meus Links disse:

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  5. Luciana disse:

    eu gostei muito desse filme, e o blog é mt bom!!!!!!!

  6. Fabricio Oliveira disse:

    Filmes ótimos. A idéia do diretor era realmente fazê-los iguais para mostrar que a violência é a mesma, entendeu ?

    Nesse post o autor fala um pouco do remake. Leiam como complemento ao excelente post do Cinemafia.

    http://aleatorioevirtual.blogspot.com/2010/07/cinema-filme-5-violencia-gratuita.html

  7. Esse filme é demais. Conheci pela versão americana e gostei pra caramba. Aquela cena sem cortes e longa é fenomenal!

  8. bractus disse:

    Além de ser meu filme favorito, é um filme do tipo “ame ou odeie”, pois a maioria não entende o contexto do filme e do próprio remake. Parabéns pela crítica.

  9. Leandro Faria disse:

    cara tem aquele vanilla sky e abra os olho é a mesma coisa tambem

    • cinemafiablog disse:

      Olá Leandro, isso mesmo.

      “Vanilla Sky” é uma refilmagem de “Abre os Olhos”
      porém não é a mesma coisa que “Violência Gratuita” porque são dirigidos por diretores diferentes.
      e o ponto chave da discussão aqui é que Michael Haneke fez dois filmes iguais entende?

      Mas muito obrigado pela lembrança

  10. TradeX disse:

    Isso passa todos os dias na HBO.

  11. Dondras disse:

    MUITO BOM O POST PARABÉNS!!!!!!

    QUERIA CONVIDA-LO A DIVULGAR SEUS LINKS AQUI

    http://DONDRAS.BLOGSPOT.COM

    E AUMENTE SUAS VISITAS!!!!!!!!!

  12. Carlos disse:

    Eu não assisti esse filme ainda!!!vou procura assistir!!Post legal.

  13. Bruna disse:

    Esse filme é totalmente sem sentido, alem de ser uma droga, tenho dito :D

  14. Cláudio disse:

    americano adora copiar o que faz sucesso fora e deixar o mundo acreditar que é original…veja “o grito“, “a assassina“, “REC“, “dark water“ e por aí vai…

  15. […] muito a leitura da crítica “Funny Games Vs. Funny Games U.S” do blog […]

  16. Bruna disse:

    Baixar o Filme – Violência Gratuita – http://mcaf.ee/zi9hf

  17. giolliano disse:

    entendi a crítica, ele faz um filme merda pra justificar as outras bostas de filme já existentes. Nossa, falando assim ate parece que vale a pena assistir.

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