“Quanto Vale ou é Por Quilo?” (2005)

“O que vale é ter liberdade para consumir, essa é a verdadeira funcionalidade da democracia”.

“Quanto Vale ou é por Quilo?” é um filme que faz uma analogia entre a escravidão antiga e a exploração da ‘solidariedade’ atual.  Mostra com maestria como as ONGs viraram ‘ativismo fashion’ para senhoras de altas classes sociais e se tornaram fonte de lucro para grandes empresas.

Torna óbvio que os resquícios da escravidão continuam ao nosso lado até hoje. Se não existem mais correntes físicas, certamente existem as psicológicas.

É uma obra realista e recheada de sarcasmos, onde fica nítido perceber como, desde os tempos primórdios, a falsa cordialidade de diversos brasileiros esconde seus reais interesses: os próprios.

Apenas me questiono em até que ponto o impacto do filme é positivo para a sociedade. A máxima de que “criticar é fácil, difícil é fazer/resolver” não pode ser ignorada. O filme vomita problemas de todos os lados, mas não apresenta um só meio de resolver a situação.

Aprendemos desde cedo que não devemos dar esmola aos pobres, mas o que, então, devemos fazer na esperança de ajudar nosso país? Agir corretamente é o suficiente? Não errar é o mesmo que acertar?

No filme, tem-se a impressão de que só existem duas opções: ou explora-se ou se é explorado.  Nesse ponto, devo discordar.

Não consigo comprar a ideia de que fazemos caridade buscando apenas o bem-estar pessoal para termos a sensação de ‘dever cumprido’. Enxergo o homem como um ser que, até mesmo por viver em bando, tem um instinto coletivo. Não são todos e, provavelmente, nem a maioria, mas me recuso a adquirir a visão pessimista de Sérgio Bianchi.

Se a Globo desconta os impostos através do dinheiro de milhões de brasileiros que doam suas moedinhas para o projeto ‘Criança Esperança’, ao menos está sendo feita alguma coisa e, coisa esta, que gera resultados bons. Poderiam ser melhores? Certamente.

Longe de defender a corrupção, apenas não encontrei, ainda, a alternativa correta. E eu já sei que esse meu texto vai dar o que falar…

E sei também que aqui é lugar pra gente discutir cinema, e não o que é certo ou errado, mas existem certos filmes que possuem uma mensagem tão forte que a ‘técnica’ perde espaço. Esse é um deles. Um filme pra ver, pensar, refletir e, o mais importante, agir.

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Renata Nóbrega

 

7 respostas para “Quanto Vale ou é Por Quilo?” (2005)

  1. Nelson disse:

    Parabéns pelo blog.

  2. Gabriel Neves disse:

    Eu gosto demais desse filme, uma pérola brasileira que cospe com ironia a mensagem em nossa cara. Eu, por exemplo, concordo contigo. Muitos são os que fazem o bem para conseguirem conviver com um buraco miserável chamado alma, mas ainda acho que há pessoas que dão sem se importar com o que vão receber ou se o dever está cumprido. Abraços, e ótimo texto.

  3. Igor disse:

    Já assisti, muito bom..
    Interessante!

  4. Poxa, que bom que gostou do texto, Gabriel! E concordo com o que você falou. Claro que existem pessoas assim, mas são bem raras, infelizmente.
    O filme só me deixou um bom deprimida pois acabo sem saber o que fazer, entende?

  5. licedoa disse:

    Nossa! Que tema interessante! Gostei muito! Com certeza vou assistir! Confesso que sou meio orfã de filmes nacionais até porque só chegam aos meus ouvidos e olhos os mais populares. Tive a sorte de conhecer títulos diferentes e bons na minha aula de cinema, mas depois disso realmente não vi grandes avanços nacionais que realmente tem história pra contar..
    =1

  6. Marcos disse:

    Oie, gostei muito da sua visão do filme, mesmo achando que Quanto vale ou é por quilo é um filme ruim.
    Acho isso pois as mensagens sérias devem ser tratadas com seriedade e o mínimo de respeito por quem sofre com as questões apresentadas e convenhamos, o filme é extremamente caricato, esse exagero faz com que a maioria das pessoas que o assistem não absorvam a real ideia.
    Gosto muito do seu blog!

  7. raquelmariano disse:

    Eu gostei muito desse filme. Fiz estágio em um famoso projeto social e sei que muitas coisas mostradas no filme acontecem mesmo. O assistencialismo barato impera em nosso país. Não concordo quando diz que o filme não faz nada para mudar a situação. Criticar e mostrar a realidade já é muita coisa em um país onde a maioria das pessoas prefere a omissão.

    Parabéns pelo blog!

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