Sobre Café e Cigarros (2003)

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E aí pessoal, andaram vendo algum dos filmes comentados pelo Cinemafia? Espero que sim. Então. Mais uma vez falarei de uma obra do diretor Jim Jarmusch (de Dead Man). Minha pretensão com essa insistência em um mesmo diretor é poder, não só conhecê-lo mais a fundo, como também fazer com que vocês se interessem mais por quem merece muito. Como falei de duas obras de Iñarritu, por que não presenteá-los com mais uma de Jarmusch? Come on!

Dessa vez, usando sua maestria, Jarmusch produziu 11 curtas-metragens no período de 17 anos que mostram e tratam, simultaneamente, de pessoas sentadas à mesa, jogando papo fora e fazendo a casadinha cult – café e cigarro. Resolveu então juntá-los e fazer um longa que intitulou adivinha de quê? Sobre Café e Cigarros. E o já esperado resultado foi uma obra muito charmosa.

O longa é todo em preto e branco e, como é de se esperar de bons diretores, isso tem significado. Embora muito fácil de perceber, mas o preto alude ao café e o branco ao cigarro. Mas é bom lembrar também que, essa saturação nas cores, é sempre bem pregada em filmes, principalmente, quando a intenção é dar um ar de sofisticação ou cotidianidade. Jarmusch faz os dois. Por se tratar de 11 curtas independentes um do outro, podemos apreciar uma variedade de diálogos de banais a interessantes. E é isso que acontece quando amigos se encontram para bater um lero. É por esse motivo que não há cabimento para críticas quanto à irregularidade da obra. Poxa! São diversos lugares com pessoas diversas… Queria o quê?

O primeiro da sequência, que também foi o primeiro a ser filmado, é o interpretado por Roberto Benigni e Steven Wright; no curta eles são Roberto e Steven. Outro curta conta com Iggy Pop e Tom Waits que interpretam o papel de Iggy e Tom. Coincidência isso? Estamos falando é de um roteiro que é também do próprio diretor, ou seja, há uma explicação para isso. Com poucas exceções, isso acontece em muitos dos 11. Dessa forma, os curtas ficaram, mesmo nos que Jarmusch não optou pela preservação dos nomes, com um ar de anti-ficcional. E isso é muito interessante não só pelo fato de haver verossimilhança, mas também por mostrar que as próprias estrelas de cinema não bebem só champanhe francês e fumam charutos cubanos.

Um bom exemplo para pegar, resumir e coroar de vez essa obra é o curta interpretado por Cate Blanchett. Se vocês lerem em qualquer outro lugar (mas dê preferência ao cinemafia!) sobre esse longa, verão a ênfase que dão a essa parte. E não é para menos. Cate dá um show de atuação interpretando no curta ela mesma e uma prima sua que quem sabe se não existe mesmo? E não pensem vocês que é fácil interpretar a si próprio, pelo contrário, é muito mais difícil. Convido vocês a tentarem.

Agora que já leram sobre café e cigarros, recomendo que vocês, cinéfilos leitores, sirvam-se um cafezinho e acendam seus cigarros, caso isso já seja de costume, e assistam ao filme. Não estou fazendo apologia à cafeína e, muito menos, à nicotina – nem Jarmusch, diga-se de passagem. Mas é que, tanto lendo a respeito como assistindo a esse longa de curtas, temos não só a sensação, mas a vontade de dá bons goles e algumas tragadas. Perdão por isso, mas tenho que me prevenir caso minha mãe leia esse texto… MÃE, EU NÃO FUMO!

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Ezequiel Fernandes

Uma resposta para Sobre Café e Cigarros (2003)

  1. Ielison disse:

    Jarmusch sempre joga duro. Gosto tb de Flores Partidas.

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