Os Viciosos (1995)

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E aí pessoal, tudo bem? Trouxe um filme bastante diferente pra vocês hoje, talvez muitos até nem gostem, mas ele é daqueles que agradam dezenas e desagradam multidões. Possui uma discussão filosófica imensa na qual você precisa penetrar com toda a concentração que você consegue extrair da sua mente, para poder captar todas as mensagens que o roteiro se propõe a passar. E você ainda não vai conseguir.

Sim, mas deixe de enrolar e diga do que se trata o filme. Então, o filme fala de vampiros. Vampiros? Sim, vampiros. Daí você se pergunta: e como um filme sobre esse tema já tão explorado, consegue ser diferente? Vou explicar. Tudo bem que essa nova saga de filminhos vampirescos que estão sendo lançados nos últimos anos têm uma temática incomum e que consegue agradar um batalhão de molecas desentendidas e apaixonadas (com exceção de “Deixa Ela Entrar”, que é um ótimo filme e já foi analisado aqui no Cinemafia). “The Addiction” (ainda nem tinha dito o nome do filme, sorry) é absolutamente, em todos os sentidos, diferente de qualquer filme sobre vampiros que você já viu, começando pelo fato de que em nenhum momento dos seus 82 minutos de duração, você escuta a palavra “vampiro” ou qualquer uma do gênero. Falei o nome original do filme porque não me agradei da tradução que fizeram no Brasil (Os Viciosos).

A produção é dirigida pelo aclamado/odiado diretor norte americano Abel Ferrara, e carrega o roteiro de seu amigo de adolescência, Nicholas St. John, com o qual trabalhou em diversos longas. Narra a história de Kathleen Conklin, estudante de Filosofia prestes a defender sua tese de Doutorado, que, em um dia comum, é surpreendida por uma mulher estranha, que a puxa para um beco e lhe dá uma bela de uma mordida no pescoço. A partir daí Kathy passa a sentir, muito forte, a necessidade por sangue e seu comportamento começa a mudar, causando estranheza nas pessoas que vivem ao seu redor. Lembrando que em nenhum minuto do filme você vai ouvir coisas do tipo: “eu virei vampira” ou “Ai meu Deus Kathy, você é uma vampira agora?”.



Na verdade, o filme não quer enfatizar a vida e modo de agir dos vampiros. Ferrara apenas encontrou um ponto de encontro e de fácil analogia entre a história dos seres mitológicos desejosos por sangue e a vida de pessoas que se entregam ao vício, perdendo totalmente o controle dos seus atos e se tornando presas dos próprios desejos. Ele consegue mostrar como é a vida de um viciado em drogas e o que o move a sempre querer mais e mais, através de uma alegoria bastante elucidativa. E como o filme aborda diretamente a questão da filosofia, a todo o momento vão ser jogados diante de você vários questionamentos e pensamentos dos grandes pensadores e filósofos dos tempos passados, como questões tratando de existencialismo, pecado, ética e moral.

Partindo para a parte técnica do filme, o que mais me chamou atenção foi a fotografia, que preferiu usar o belíssimo preto e branco totalmente cabível no enredo, e que deixou um clima bem sombrio e macabro no caminhar de pessoas que estão se afundando em drogas e perdendo suas vidas. Fora isso, mérito à dupla diretor/roteirista que fizeram um trabalho correto, capaz de cumprir o objetivo pretendido. Sim, ia me esquecendo da aparição surpresa e rápida do grande Christopher Walken como um vampirão misterioso. Sempre bom vê-lo mesmo que nos “pequenos” papéis.

Finalizando, o filme não é facilmente digerido, embora você perceba tranquilamente que ele está falando do mundo das drogas. O buraco que Ferrara quis tratar é bem mais em baixo, e permite o espectador ter as mais variadas interpretações. Com certeza vou ler aqui nos comentários alguém dizer que esse é o pior filme que já viu, ou que não conseguiu entender nada. Abel Ferrara está pouco se lixando pra isso. Muito menos eu. Então se você está esperando um romance lindo entre dois vampirinhos apaixonados, nem assista. É filme pra poucos.

Obs: não consegui achar o trailer o filme no youtube, por isso coloquei uma cena aleatória pra vocês verem como é mais ou menos.

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Lincoln Ferdinand

2 respostas para Os Viciosos (1995)

  1. Gabriel Neves disse:

    Esse parece ser um bom filme. Não conhecia, mas seu texto me prendeu completamente. E acho que sempre é bem melhor vermos um filme de vampiros tratado desse modo do que com base numa paixão adolescente, não?
    Abraços.

  2. Olá Gabriel,

    fico feliz que tenha gostado do texto, e o filme deve sim ser visto, embora não compreendido em sua totalidade.

    Continue visitando o Cinemafia
    agradecemos

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