Fahrenheit 451 (1966)

Recentemente eu revi Fahrenheit 451, do Truffaut e achei que, nesse momento da minha vida que tanto tenho lido, seria legal dividir com vocês, leitores, minha opinião sobre o filme.

Truffaut é realmente brilhante e tenho certeza de que as imagens do fogo queimando os livros estão gravadas na mente de todos que já viram o longa. E o melhor: queimados por bombeiros.

Ele já começa com um diferencial: os créditos são passados ao público em áudio, o que é um tanto curioso, visto que o filme trata justamente sobre uma sociedade onde o livro é condenado por trazer infelicidade aos leitores.

O resultado disto é uma população fria, que passa o dia inteiro assistindo televisão e morre de medo de ser ‘diferente’.

Tenho certeza de que pipocam comentários sobre ser um filme voltado apenas para um público mais… Intelectual. Grande besteira. É claro que os ‘homens-livros’ seriam um explícita alusão a ‘parte pensante’ da população, que nos mostra o poder dos livros e a resistência pensante diante da massificação bitolada, mas isso deveria servir como um alerta para que todos queiram ‘chegar lá’.

Ressalto também que, apesar de ser de 1966, o filme continua completamente contemporâneo (não pelas referências de tecnologia, mas pela ideia em si), reforçando o brilhantismo do diretor.

Quer uma prova? As donas de casa que passam o tempo todo drogadas de antidepressivos e calmantes. É só dar uma pesquisada no Google para ver quanto se vende hoje em dia de Prozac e Rivotril. Sobreviver ao mundo atual, só a base de muitos sedativos mesmo…

A direção de arte também merece atenção. Tem todo um cuidado especial, já que é um filme futurista, tentando projetar os objetos de um tempo futuro, como no caso da TV. O figurino é outro aspecto do filme que é datado, e apesar de se pretender uma projeção para o futuro, às vezes cai no velho clichê das roupas prateadas ou brilhosas. Mas, deve-se lembrar, que os filmes são documentos do período de sua produção, e qualquer representação do passado ou do futuro existente está intimamente relacionada com o período em que este foi produzido.

Ah, uma pequena curiosidade: o título do filme seria a temperatura em que os livros eram queimados!

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Renata Nóbrega

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