Pi (1998)

Divida o perímetro de qualquer circunferência pelo seu diâmetro e você achará 3,1415926535897932…(e bote reticência nisso), vulgo Pi. Pois é pessoal, esse é o segredo que está por trás dessa obra que falarei nos parágrafos seguintes.

Não julgue o filme pela capa. Perdoe-me pela paráfrase de um repetido clichê, mas ela foi bem cabida aqui. Falo isso, porque quando resolvi assistir a esse filme julguei de cara; mas isso é até questão de gosto. E esse não foi o único receio que tive antes de assisti-lo. O tema do filme… digamos que já é um pouco batido, embora ele anteceda alguns do tipo, mas bem diferentes dele: Uma mente brilhante, Número 23 etc. O que me deixou convicto de que eu devia assisti-lo, e hoje não me arrependo, foi sua direção: Darren Aronofsky (de Cisne Negro, Réquiem para um sonho, O lutador). Sua filmografia é bem pequena, apenas cinco filmes. Assisti a todos e, acredite, ela vale por muitas que só têm extensão, mas quase nada de originalidade.

Não demora muito para que você goste do filme. Na verdade, ele já começa arrebatador e assim segue até o fim. Mesmo sendo o primeiro longa do diretor, não se consegue achar nada de amador nele – não me refiro às técnicas que exigem dinheiro, mas dom. Max Cohen (Sean Gullette) é um jovem matemático brilhante que busca freneticamente por um padrão matemático. Max acredita que tudo a nossa volta é matemática. Usando padrões que acha ter encontrado, tenta desvendar um padrão que rege a bolsa de valores. Assim vive Max, somente, em função disso.

Acometido frequentemente por fortes dores de cabeça, nosso protagonista é obrigado a tomar uma série de analgésicos, drogas. As cenas que mostram isso são de tirar o fôlego. Aronofsky consegue divinamente nos fazer sentir na pele a dor de Max. Sem falar do manejo com a câmera e dos cortes abruptos extremamente inovadores (o que lembra bastante, momentos de ‘Réquiem para um sonho’ que analisarei aqui). Devido também ao seu isolamento, ele sofre delírios – terror psicológico dos melhores.

Max só mantém um amigo, o também matemático Sol. Fora ele e uma de suas vizinhanças, os únicos que se “preocupam” com Max, são uma firma da Wall Street que anseiam a dominação financeira e uma seita judaica que acreditam no fato de Max ter desvendado os mistérios matemáticos que envolvem o Torá. No mais, o filme é todo em preto e branco bem contrastado, apressado e lindamente insano; e possui uma trilha sonora igualmente louca. Tudo isso bem retrata o caos que cerca Max.

Aronofsky é mesmo um diretor que tem muito a acrescentar ao cinema de qualidade. Já sou fã e espero piamente por seus próximos filmes. Achei uma pena ele ter abandonado a direção de ‘The Wolverine’, pois acreditava muito no caráter psicológico que ele daria ao herói que, de fato, já é bem marcante. Tenho certeza que ele faria o que Nolan fez com Batman.

Mas o que me consola é que ainda teremos muito de Aronofsky pela frente. Portanto, não se esqueçam de colocar Pi na lista de filme de vocês, caso não tenham conferido. Garanto que, após assistirem, ele irá, no mínimo, para a lista dos mais originais que vocês já viram. Pi não foi feito para mostrar mais um padrão qualquer no cinema. Esse longa é daqueles que nasceu para desconstruir padrões e mostrar que cinema não é só aquela matemática básica hollywoodiana de sempre.

Bem desnecessário e muito menos importante, mas o número descoberto por Max foi esse:

9414324343151265932105487239048682851291347487602767195923460

2385829583047250165232525929692572765536436346272718401201264

3147546329450127847264841075622347896267285928582953475027722

62646456217613984829519475412398501.

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Ezequiel Fernandes

5 respostas para Pi (1998)

  1. Gabriel Neves disse:

    Por mais que seja um dos que eu menos aprecie do Aronofsky, não se pode diminuir o quão original é a ideia e o quão bom é o filme.
    Abraços.

  2. Vanessa disse:

    Bom, Pi foi o meu primeiro filme de Aronofski, qdo o assisti em 2002, num festival de filmes alternativos que teve aqui em SP, confesso que não esperava nada parecido. Aliás, acho que nada poderia me preparar para o soco no estômago que eu levaria a assistir esse filme. Me lembro que a cópia do festival não tinha legenda, o que fez com que o filme ficasse mais onírico ainda pra mim. Depois, é claro, fui atrás para assistí-lo devidamente. E não me arrependo. Uma narrativa acelerada e totalmente original. Sem dúvida, um dos meus filmes favoritos. :)

  3. Natalia Xavier disse:

    O filme mesmo curto chega a incomodar visualmente por praticamente nao ter escala de cinza. É praticamente um positivo/negativo. Entretanto, essa linguagem visual casa absurdamente com a sonoplastia irritante das dores de cabeça de Max e das imagens perturbadoras que são expostas. Acho esse filme brilhante pela capacidade que Aronofsky teve de exteriorizar nas cenas e nos sons a agonia que a gente sente quando absorve tudo isso.

    Tb já vi todos dele, e acho um dos melhores diretores da atualidade.

    Abs!

  4. licedoa disse:

    Os poucos filmes dele que eu assisti, eu adorei! Especialmente Fonte da Vida, que é belíssimo!
    =1

  5. […] é uma coisa que você vai perceber fácil num filme de Aronofsky. Pi, Réquiem para um sonho, Cisne negro, O lutador e, claro, Fonte da Vida. Esses são exemplos de […]

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