Réquiem para um Sonho (2000)

– Oi, meu nome é Ezequiel e sou viciado há algum tempo.

Se a droga é boa, a pena é válida. Calma aí gente, isso é uma metáfora! Eu estou falando é da obra prima do diretor Darren Aronofsky, Réquiem para um sonho, que nenhum cinéfilo que se preze pode deixar de assistir. Não escolhi aquela metáfora por acaso, pois o filme trata desse tema que é tão difícil de ser trabalhado, mas que Aronofsky conseguiu fazer, como já disse, com primazia.

Assim como o efeito que as drogas causam sobre seus usuários, aos poucos vamos viciando no longa. Daí você vai querendo mais, mais, mais e o filme dá conta do recado até o final. Gente, essa droga de filme é da boa! E eu asseguro a vocês, que quando ela acaba você se dá por satisfeito. Portanto, essa droga aqui eu recomendo. Já àquela tratada no filme… Jamais. O longa narra a história de Sara Goldfarb (Ellen Burstyn que tem a melhor atuação, inclusive indicada ao Oscar) que é mãe de Harry, namorado de Marion e amigo de Marlon. Esse é o quarteto principal do filme que têm o vício às drogas em comum, mas motivos diferentes que os levaram a isso.

A pobre Sra. Goldfarb só queria a atenção de seu filho, principalmente, e das pessoas que a cercavam. Já possuía um vício: televisão. Quando recebe uma suposta proposta de aparecer em seu programa favorito, busca métodos rápidos para emagrecer para entrar em seu vestido vermelho favorito: tomando anfetamina. Mas o que dá mais raiva é que foi receita de um “médico”. Já Harry e companhia, embarcam nesse mundo visando um método de ganhar muita grana – mas todos sabem que o pior erro de um traficante é ser, também, um viciado.

E é nesse contexto que Aronofsky constrói um filme muito forte e condizente com a realidade, sem sensacionalismos. Como havia citado no post anterior, o longa é cheio de cortes brusco e movimentos de câmera que nos deixa ainda mais ligadões; principalmente quando encena o momento da ingestão de drogas. Ou seja, isso é linguagem poética e metalinguística fundidas num só ato. O que só comprova que o roteiro e a direção são bons demais. Com finais muito tristes e pesados, o filme ratifica seu compromisso com a verossimilhança e, consequentemente, com a beleza e o papel de formador de opinião que somente o cinema-arte pode proporcionar.

Para quem ainda não teve a curiosidade de pesquisar, réquiem é um hino fúnebre, uma prece pelos mortos. Não obstante, o título, pois, faz jus ao conteúdo do filme e, resumida e retoricamente, vou dizer o porquê. Aronofsky, nesse longa, pega pesado de novo e compõe o réquiem mais psicodélico que já vi aos mortos de fato, e aos que, ainda vivos, morrem aos poucos quando se entregam mais e mais às drogas. Assistir a Réquiem para um sonho é tomar um coquetel de realismo e crueza sem ter medo de uma overdose cinematográfica das bravas.

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Ezequiel Fernandes

8 respostas para Réquiem para um Sonho (2000)

  1. Gabriel Neves disse:

    Um filme viciante que me viciou em Aronofsky. Gostei bastante quando vi e tenha certeza que não vou me cansar revendo. Como você falou, Aronofsky criou esse mundo das drogas com primazia.
    Abraços.

  2. Rodolpho disse:

    Só uma correção: requiém é mais concebido como uma missa para os mortos ou o morto. Ou seja, é mais ligado ao aspecto religioso que qualquer outra coisa. Isso é irrelevante mas é bom deixar claro. E o filme é sensacional, só não gostei da atuação do ator de Harry e da caracterização dos atores/atrizes porque geralmente drogados são muito magros, principalmente em estágios quase terminais como o do filme (nele os dois atores principais são musculosos não magros), algo que podia ser melhor (talvez algo como ocorre em Fight Club, que o protagonista vai ficando mais e mais magro) e letárgico.

  3. O réquiem é uma missa ou prece, mas também apresentado como música, hino. Mozart, por exemplo, compôs alguns famosos. E, como hino, achei mais adequado ao filme, até mesmo por causa da trilha sonora bem conivente a premissa do longa – que é espetacular, diga-se de passagem. Mas muito obrigado pelos toques e acréscimos muito válidos, Rodolpho. Volte sempre por aqui. Abraços.

  4. esse filme é demais , um pouco perturbador…

  5. Davi disse:

    Bom filme, embora muito moralista. O vicio em drogas, possivelmente acaba em tragédia, mas no filme, o consumo de drogas te levará de um jeito ou de outro ao fim. O drama é bom, acho que tem cenas meio clichês e bem exaustivas, mas a questão abordada do filme eu não sou a favor.

  6. Renata disse:

    Bom vi o filme a alguns anos, mas lembro bem dele e não concordo com o Rodolpho, acho que a caracterização foi perfeita, e também acho que em fight club, apesar de ser um dos meus filmes favoritos, a caracterização nem tenha sido assim tão mais marcante que em Requiem for a dream.

    Amei o post, vou até ver o filme de novo.

  7. […] é uma coisa que você vai perceber fácil num filme de Aronofsky. Pi, Réquiem para um sonho, Cisne negro, O lutador e, claro, Fonte da Vida. Esses são exemplos de filmes que trazem esse tema […]

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