Deixe-me Entrar (2010)

Esse texto possui spoilers.

Como bem disse meu amigo mafioso Lincoln Ferdinand certa vez aqui no blog, Hollywood faz remakes de filmes estrangeiros por um motivo simples: americanos têm preguiça de ler legenda. Eles possuem uma indústria cinematográfica pulsante e estão acostumados a assistir filmes no idioma materno. Dispensam dublagem pela mesma razão que eu dispenso, dublagem é realmente uma bosta, exceto para animações. Então, quando um filme estrangeiro é brilhante, Hollywood faz um remake que normalmente profana o original, alterando algumas características responsáveis por terem dado o bom resultado ao filme estrangeiro. Por isso eu sempre fico ressabiado com remakes.

“Deixe-me entrar” é remake do filme sueco “Deixa ela entrar”. Considero o sueco bem superior ao americano, mas reconheço que o diretor de “Deixe-me entrar”, Matt Reeves, tentou ser fiel ao original. A versão sueca já foi analisada por mim aqui no Cinemafia na extinta série do blog “Filmes para se guardar e filmes para se queimar”, portanto, tendo em vista a semelhança entre os dois filmes, peço que leiam a crítica neste LINK e atentem para as comparações a seguir.

Oskar agora se chama Owen (Kodi Smit-McPhee) e Eli se chama Abby (Chloe Moretz). Kodi consegue passar a fragilidade do personagem, os traços de seu rosto são levemente femininos, o que, como aconteceu com o intérprete de Oskar, ajudou a representar a vulnerabilidade do garoto. Porém, apesar de frágil, Owen tem mais de atitude que Oskar. Chloe faz uma participação regular se comparada à de Lina Leanderson. Senti falta daquela menina de feições firmes e inescrutáveis, importantíssimas para demonstrar o perfil implacável de Abby.

No filme americano, há a confirmação da teoria que levantei no texto anterior a respeito da relação entre a vampira e o senhor que aparentava, no início, ser o seu pai. Além desta, são dadas outras explicações desnecessárias que tiram a graça de deixar o expectador formular suas próprias conclusões e botar a cachola pra funcionar.

A maquiagem de Abby, no momento em que ela vira bicho, deixou a menina parecida com Regan de “O Exorcista”. Alguns efeitos especiais usados durante o ataque da vampira ficaram um pouquinho exagerados. É perceptível que Matt Reeves quis colocar uma pitada a mais de terror e ação em algumas cenas. Um dos aspectos diferentes de “Deixa ela entrar” é a sutileza com que o filme trata o relacionamento entre um humano e uma vampira, e o vínculo que os personagens criam um com o outro no intuito de se protegerem do mundo hostil. O filme americano tem a mesma finalidade, poderia descartar essa tentativa de acentuar terror e ação.

Um ponto positivo foi o fato de não repetirem a cena dos gatos, ela era meio desajustada com o conjunto da obra. Já a cena da piscina não surtiu o mesmo efeito da original. Ficou rápida, direta e não atingiu o clímax de suspense alcançado pela cena do filme sueco. Na verdade, se Matt Reeves quisesse fazer essa proeza, teria que refilmar a cena exatamente como ela foi construída, é difícil chegar a esse estágio de singularidade.

No mais, apesar de ser um remake, “Deixe-me entrar” é bem intencionado e se esforça para reproduzir as virtudes do original. Mas eu prefiro o original.

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Marcelo Cardins

20 respostas para Deixe-me Entrar (2010)

  1. Mesmo vc falando que não ficou tão ruim assim, ainda me recuso a assistir a versão americana. Quiseram colocar todos os elementos de um filme de suspense: crimes não solucionados no começo, mostram a desconfiança do garoto em vê-la como suspeita e não somente com curiosidade como acontece no Sueco. Afinal é uma história de amor e não um suspense!! Cacique!

  2. Gabriel Neves disse:

    Gosto das duas versões, até porque não há muito que se difere. Mas preferi as atuações do sueco (por mais que Chloe Moretz me deixe mais animado em sua personagem), além de que o americano tentou misturar o original com Hollywood, o que acabou deixando algumas cenas ruins onde na versão sueca funcionavam bem. De qualquer maneira, é um ótimo filme romântico que passa a mesma coisa em ambas as versões.
    Abraços

  3. renno disse:

    pelo que entendi no filme o senhor que cuida dela era um antigo namorado , pq tem uma parte que mostra ele com a mesma idade que ela , entao impossivel ser pai dela

  4. renno disse:

    mostra em uma foto *

  5. Ana disse:

    Ainda prefiro a versão original. A americana é ridícula – uma cópia absurda.

  6. […] pela mesma razão que eu dispenso, dublagem é realmente uma bosta, exceto para animações. … Read More via […]

  7. João disse:

    Não sei como foi abordado na versão americana, mas quanto ao original gosto de pensar que há duas possibilidades para o relacionamento deles, a primeira de que ela é mesmo um vampiro, e a a outra é de que ela ou o homem que a acompanhava são só um desvio para enganar quem assiste, quando a vampira não passaria de um alter ego psicopata que se manifestava para defender o garoto.

  8. Não assisti a versão americana… bastante receoso. Não sei como foi abordado nele. Mas o 1º filme dá pistas indicando que Eli não é uma vampiresa e sim um vampiro castrado há uns 200 anos.
    E sobre o velho que cuida dela… fica um tanto evidente que tiveram um romance noutra época.

  9. Bella disse:

    Outro filme de vampiro que vale a pena ser visto é Sede de Sangue, coreano, do diretor Chan-wook Park, o mesmo da trilogia da vingança. Não vão atrás da história para saber do que se trata apenas assistam. Tem um pouco desse conflito interno em ser vampiro e fazer a coisa certa e trata o romance entre vampiro e humano de uma forma muito delicada e sexy. Vale a pena!

  10. Haru-chan disse:

    Ainda vou assistir!!!

  11. BONi disse:

    Olha… eu vi esta versao ai e so posso dizer que me apaixonei pelo filme. A garotinha do filme dá um show de interpretação. Pra mim… ESTE É O FILME!!! Dispenso outras versoes…

  12. Marco disse:

    Muito bom! Não vi a primeira versão, não posso julgar se é melhor ou não, mas adorei! Mostra a lealdade de uma amizade, perfeito!

  13. virginia disse:

    nao vi o filme tenho so 8 anos mas como gosto de filmes de terror acho que iria gostar como a hora do espanto beijos

  14. hugo rodrigues disse:

    Quem prestou atençao no primeiro filme tem certeza absoluta que o velho não é pai dela e sim eram namorados quando ele era jovem, ele ficou velho e passou a cuidar da vampira como se fosse uma filha e isso é desvendado no final, quando da entender que o mesmo ira acontecer ao menino que se apaixou por ela, levando-a na caixa com ele no trem. (o velho pai dela?, nada haver).

  15. Não assisti o original, ouvi falar muito dele mais quando pude assistir, na verdade antes de ontem, me APAIXONEI, sim pela versão americana…mais pra quem não viu a versão original (TENHO certeza) que iriam se apaixonar pela americana….muito lindo Chloe Moretz me fez emocionar na cena dela entrando na casa de Owen sem permissão. Confesso nunca vi um filme tão próximo de vampiro e com sua beleza fria, e solidão com requintes de beleza. “Deixe-Me Entrar” quero ter esse filme em Blue-Ray

  16. P.s.sousa disse:

    So assistir a versão americana, e o filme e muito bom da de 10×0 em crepúsculo, que me deu tedio,sou fan de chloe moretz, agora so falta assitir o filme original, mas pelo que vejo parece ser ainda melhor……..recomendo a versão americana…….

  17. Assisti as duas versões e achei a versão americana excelente. Justamente porque se trata de um remake, ou seja, outra visão do mesma história, e amei a Chloe como Abby, o que difere muito da Eli em certos aspectos que o proprio post descreve. Mas não tem o que cobrar do remake, é apenas diferente e pra quem gostou da história, assista as duas versões porque são fenomenais. Gostei muito da história, porém não achei nenhuma inferior ou superior a outra, apenas diferente em suas interpretações, e ai cabe a quem assisti escolher aquela que chega mais proxima da sua também.

  18. Lennon disse:

    Já estou baixando o americano, sei que vou gostar!

  19. esse filme e muito bom ele e otimo

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