The Coconut Revolution (2001)

Olá pessoal. Sou o mais novo aspirante a mafioso que aparece por essas terras já habitadas por outros mafiosos bem mais impiedosos e experts no mundo do cinema. De crítico de cinema tenho muito pouco, mas de inebriado pela 7ª arte tenho muito. Então, estaremos sempre nos encontrando por aqui nas segundas. Sem mais delongas, vamos ao que interessa.

Ser “verde”, “ecologicamente responsável”, ter “hábitos sustentáveis” e todo esse discurso está na moda. Quantas vezes você já não leu ou ouviu – o que deixaremos para os nossos netos? Esse vem sendo o mote da vez do noticiário, a plataforma de campanha de partidos e candidatos, o refúgio do já exausto e repetitivo marketing das corporações.

Longe desse falso moralismo ambiental e do papo chato de ambientalistas acostumados a debates em mesas redondas, existe a ilha de Bougainville no arquipélago das Ilhas Salomão. Uma província de aproximadamente 190 mil habitantes no oceano pacífico, teoricamente pertencente ao território de Papua-Nova Guiné. Já foi colônia da Inglaterra, palco de disputa da segunda guerra mundial entre Estados Unidos e Japão, e como se não bastasse, teve parte de suas terras transformadas em deserto por resíduos de cobre e arsênico provenientes da exploração de seus minérios pela maior mineradora do mundo, a britânica Rio Tinto Zinc.

Com esse cenário de desolação a população resolveu reagir de sua forma. Sob a liderança de Francis Ona, em 1989 explodiram os principais pontos de suprimento da empresa, causando um colapso em seu funcionamento. Esse foi o estopim da luta que durou por mais sete anos. Rendeu a liberdade de um povo, mas também rendeu o isolamento territorial sob a mira das armas do exército de Papua-Nova Guiné.

O que torna esse documentário diferente não são o relato de luta ou os problemas deixados pela exploração, ou mesmo a mais nova denúncia que irá derrubar governos ou colocar em xeque o destino da humanidade, mas o fato de contar o que se pode chamar de primeira eco revolução bem sucedida que se tem notícia; é a simplicidade de uma história que passa longe dos holofotes do marketing empresarial; não teve debates, mesas redondas de intelectuais acostumados aos arroubos retóricos.

De forma simples, a população encontrou sua forma de sobreviver. Aquela máxima de que a necessidade é que faz o homem prevaleceu e forçou a criatividade de um povo. A grande sacada que deu nome ao documentário – revolução dos cocos (The coconut revolution), não foi apenas o fato de um povo ter lutado braviamente contra os exploradores de sua terra, ou ter “dado seus pulos”, mas a descoberta do coco como a principal fonte de energia para a ilha. O fruto se tornou uma espécie de MacGyver Bougainvilliense. Virou sabão, óleo, e até combustível automotor.

Apesar da pequena estrada percorrida pelo diretor Dom Rotheroe, o texto apresentado é leve, mas não se torna superficial por isso, consegue com maestria passar a largo de números a respeito do tema, como é comum, sem deixar a desejar em conteúdo, tornando-se um estudo etnográfico em som e imagem pra antropólogo nenhum por defeito; o sentimento, a criatividade e o ceticismo de um povo com o resto do planeta são personificados nas suas cenas sem grandes retoques de imagens.

________________________________

Victor Lúcio

3 respostas para The Coconut Revolution (2001)

  1. Elaine disse:

    Muito legal o texto! E o documentário parece ser muito interessante também. Parabéns pelo seu blog!

  2. Victor Lucio disse:

    Obrigado pelo comentário, Elaine. Vale a pena os 50 minutos desse documentário na frente da telinha.

  3. Carlajf disse:

    O documentário é muito rico, pois mostra a verdadeira realidade de um determinado país. No entanto, seu texto bate com a base do documentário é interessante que ainda exista pessoa que queram mostrar o que está se passando em determinado lugar. Que Deus abençoe seus esforços!!!!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: