A gente paga pra ver

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Bom pessoal. Para quem nos acompanha, é sabido que sexta-feira é dia de crítica aqui no cinemafia. Mas devido à correria, Lincoln não pôde escrever hoje e me incubiu essa missão. Para cumprir nosso compromisso com vocês e não desapontá-los ao acessarem nosso blog e procurar um novo texto, postarei aqui uma crônica minha que publiquei originalmente em meu blog pessoal, A todos sem crase. Desde já pedimos desculpa e agradecemos  a compreensão. O título acima corresponde à crônica.

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A fuga da realidade começa na sessão das dez, sala 3. Não é à toa e nem por outro motivo que o cinema é considerado uma das maravilhas do mundo. E vai ser assim sempre. Seja o cinéfilo um roteirista, diretor, ator ou um civil qualquer, é por isso e para isso que o cinema serve; não importa qual filme seja. Aquela sala escura e fria, a poltrona nem sempre confortável e o cheiro de pipoca amanteigada no ar… Como é bom ir ao cinema!

O roteirista cria o mundo que ele idealiza, o diretor rege tudo, o ator dá vida ao ideal e o civil assiste ao conjunto da obra. E é isso, principalmente, que chama tanta atenção no cinema. O mundo criado, as idéias passadas ou as situações vividas em um filme, sempre coincidirão com a realidade idealizada por alguém ou servirão de consolo para a realidade de outrem. Quando vamos ao cinema, podemos ver um mundo que não existe fora daquela sala ou, simplesmente, coexiste.

O que eu não entendo muito bem, mas ao mesmo tempo compreendo, é porque a grande maioria prefere os filmes que mostram uma realidade muito melhor que a sua a uma pior.  Mas entendo. O fato é que, num mundo tão escatológico, as pessoas preferem sonhar com o inalcançável, com situações exageradamente hilárias e amores que só se vêem naquela tela. O problema é que a maioria desse tipo de filme, segundo os mais entendidos, em suma, são clichês e pouco verossimilhantes. Mas confesso que desejo um final clichê para minha vida.

O mais óbvio seria preferir os filmes tristes, dramáticos e medonhamente trágicos. Por quê? São eles que mostram uma realidade que deveríamos querer ver. Isso não faz de nós pessoas ruins, frias; não. Sem querer ser muito pessimista, mas está muito difícil mudar esse mundo. Portanto, filmes assim servem para causar em nós o que Aristóteles chamou de catarse. Isto é: um alívio que sentimos de nossas condições quando assistimos a situações muito piores que as nossas e que, embora fictícias, acontecem mil vezes mais frequentemente que os clichês – no mundo real, diga-se de passagem. Está bem, eu sei… mas é ruim de se vê.

Portanto, o que falar mais a respeito? Nada. Compensa mais assistir. Final feliz ou triste, roteiro previsível ou original, drama ou comédia, cinema é muito bom. Tanto é que abrimos mão de algo tão difícil de se fazer nesse mundo capitalista: apego ao dinheiro – leia-se, liberar a verba. Existe uma expressão que, embora deixe o final do meu texto clichê, cabe aqui. Pois, quando o assunto é cinema, “a gente paga pra ver”.

P.S: Post originalmente publicado no blog A todos sem crase.

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Ezequiel Fernandes

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