Malena (2000)

Um amor platônico pode ser maior do que todos os amores concretizados em uma vida inteira. E talvez não fosse tão importante se não habitasse apenas o vasto campo ideológico de quem ama.

Num pequeno vilarejo da Sicília, início dos anos 40, vivia uma mulher solitária e triste, cujo marido havia partido para lutar na guerra. Era Maddalena, conhecida como Malena (Mônica Belucci), desejada violentamente pelos homens, odiada com ardor pelas mulheres, vítima de toda sorte de difamações sexuais. A culpada por toda essa repercussão era sua beleza estonteante. Beleza que arrebatou o coração de Renato, um garoto de 13 anos.

Assim como na letra de “Ma L’amore No”, música que embala o filme, Renato passou a vigiar e defender Malena de todas as insídias venenosas. Pelo menos de todas as insídias que presenciava, aplicando vinganças secretas aos fofoqueiros que acabavam com o nome de sua amada. Ele desenvolveu por Malena uma paixão febril, gastando boa parte de suas energias com encontros imaginários consumados por sua mão ligeira. Vocês entenderam.

Mônica Belucci interpreta com os olhos. Olhos tão desconsolados, que a gente realmente fica com pena de Malena e com raiva dos moradores do vilarejo. Para mim, a cena mais bonita acontece quando Malena aparece ruiva no meio da rua, decidida a tomar uma decisão muito difícil, põe um cigarro na boca e aguarda voluntários para acendê-lo. Ela apenas olha para o nada, as lágrimas brilham, e nós enxergamos a sua alma dilacerada e rendida.

O filme retrata uma lembrança de um momento de transição de Renato. Ali, o personagem teve seu primeiro fascínio libidinoso por uma mulher. Por ser uma boa lembrança de grande valor, os fatos exibidos na película podem ser uma hipérbole do que realmente aconteceu. Talvez Malena não fosse tão bonita como Mônica Belucci, ou talvez os reais acontecimentos tivessem menores proporções que os reproduzidos pela memória, mas, em se tratando de uma boa lembrança, tudo ganha mais cor.

Assim como na modalidade concreta, o amor platônico também castiga, há o medo de se perder aquilo que jamais se possuiu. E assumindo um status mais elevado, ele também pode renunciar suas próprias expectativas. Renato salvou Malena da decadência, mas ciente de que sua boa ação seria uma despedida.

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Marcelo Cardins

Uma resposta para Malena (2000)

  1. marcos s. s. disse:

    Boa tarde! Meu nome é marcos, sou apenas um iniciante universitário da classe daqueles que não desistem de seus sonhos. Tenho, 35, anos, e estudo turismo na Universidade Estácio de Sá.
    Oque eu posso dizer deste filme, que já não foi dito. Só quero dizer, que, este filme me trouce as minhas melhores lembranças,de adolescência. Posso dizer que é um estilo de cinema único, acrescentou-me muito como ser-humano. Eu recomendo a todos.
    E muito obrigado!
    Paumas!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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