Pacto de Sangue (1944)

Para esse post, escolhi falar sobre um filme dito noir. Assim como muitos, eu não sabia quase nada a respeito deles. Ainda não sei muito, mas, depois de ler alguma coisa, já posso passar um pouco do que aprendi sobre esse “gênero”. O contexto histórico é muito interessante, pois ele é crucial para compreender a pretensão dos filmes noir. Grandes nomes do cinema alemão migraram para o EUA no período entre-guerras e lá fizeram algumas produções. Os EUA passavam pelo período da Grande Depressão e se encontravam muito pessimistas quanto à vida e as instituições familiares, o que levou a uma mudança de interesse pelo que se passava nas telas de cinema. E foi aí que o noir brilhou.

O mais importante, pois é o que de fato destaca o cinema noir, são seus aspectos visuais e narrativo-temáticos. E é nesse ensejo que explico o uso de aspas na palavra “gênero” do primeiro parágrafo. Primeiro: nem todos consideram Noir um gênero porque muitos filmes foram feitos antes dessa intitulação. Segundo: é possível achar características isoladas do tipo noir em vários filmes sem que eles sejam, necessariamente, do tipo. Já outros são feitos com a intenção de pertencerem ao gênero, mas nem sempre contêm todos os requisitos. Para mim, o que importa é que o cinema noir exista e possa ser apreciado pela sua qualidade. Escolhi, pois, o clássico noir Pacto de Sangue para mostrar a vocês o que ele nos oferece e o porquê dele ser um noir.

Walter Neff é desmascarado. Neff é atingido por um tiro no ombro e resolve gravar sua confissão de culpa. Sr. Keyes, não obstante, investiga o caso da morte do Sr. Dietrichson e chega cada vez mais perto de descobrir quem são os culpados. A companhia de seguros não está satisfeita em pagar a apólice do falecido. Neff e Phyllis assassinam o Sr. Dietrichson. Eles estão tendo um caso. Neff vai até a casa do Sr. Dietrichson para renovar o seguro de seus carros e é atendido por sua bela esposa. Walter Neff é um vendedor de seguros experiente, sagaz, solteiro e considera o seu chefe, o Sr. Keyes, como um pai.

Quem não assistiu a Pacto de Sangue deve estar me xingando feio, pois, além de revelar os auges do filme, ainda o fiz de trás para frente. Desculpe-se, caro leitor. Acontece que foi isso que o ilustre diretor Billy Wilder fez com os espectadores da década de 40. Hoje se vê muitos filmes que revelam o fim já no começo e buscam tornar o final menos interessante que seus meados, da maneira como o filme é levado. Mas nem todos conseguem fazer isso com a mesma maestria que Wilder fez, com o agravante de ter sido pioneiro no assunto. Com essa obra, o diretor austríaco conquista seu espaço mais do que merecido no cinema e faz da mesma, talvez o maior clássico do gênero noir.

O longa em preto e branco muito contrastado é desenrolado todo num flashback. Nele são enfáticos os detalhes como as sombras dos personagens, o que metaforiza a dubiedade destes, e traz uma temática policial. O personagem principal é um anti-herói e a mocinha é uma femme fatale. Traduzindo: ele deveria ser um bom rapaz e ela uma moça de família, mas não são. Visto que o noir retrata a decadência desse tipo de instituição. E é bom lembrar que o papel de Barbara Stanwyck é destaque como mulher fatal. Pois ela é bonita, manipuladora, sedutora e tudo que não preste que contenha o sufixo “ora”.

Sem falar do uso das famosas sombras de persianas e fumaça que dão um ar de mistério e perigo – isto é considerado um clichê do gênero e, este, gerador de clichês no cinema. Portanto, quanto aos requisitos noir: check. Enfim, Pacto de Sangue é muito bom, inovador e cumpre o escopo desse gênero tão complexo e importante para a história do cinema.

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Ezequiel Fernandes

Uma resposta para Pacto de Sangue (1944)

  1. Emmanuela disse:

    Preciso rever, um grande exemplar do “Noir”

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