Cela 211 (2009)

Os dilemas e circunstâncias que a vida nos coloca de frente são sempre momentos de grandes paradoxos que nossa mente tenta resolver e encontrar uma saída, e essa saída que encontramos, muitas vezes, nos surpreende. Quem é que já não se pegou pensando, concordando e até fazendo algo que até bem pouco tempo atrás era repugnante ou no mínimo impensável? De um simples “se”, passamos a um “talvez”, e terminamos em um “com certeza” rapidamente. Já dizia Don Corleone que não fazia diferença o que um homem faz para viver, se ele não se dedica à família, nunca será um homem de verdade.

Cela 211 usa de um meio não convencional para nos levar a refletir sobre esses dilemas: uma rebelião em um presídio. Afinal, será que existem pessoas de lados totalmente opostos? Será que muita coisa distancia um carcereiro de um preso?

De nova profissão, Juan Oliver resolve ir ao seu futuro local de trabalho um dia antes para conhecer as instalações. Ainda nesse fatídico dia de conhecimento, devido a um incidente “se transforma em mais um detento”, o instinto de sobrevivência fala mais forte e ele é obrigado a se misturar com os demais e passa a liderar com Malamadre a rebelião a que se dá cabo. Daí pra frente ele é obrigado a fazer papéis distintos dentro da prisão: para os presos, mais um rebelde, e para a direção do presídio um “espião” que caiu lá por acaso, até chegar ao ápice da trama, o momento em que não consegue mais conciliar os dois lados.

A produção espanhola é um filme que mostra rapidamente pra que veio, e não deixa o enredo esfriar durante o percurso. Pra quem espera um filme de ação, nele você encontrará muito pouco do gênero. A riqueza da obra está nos ótimos diálogos responsáveis por manipular momentos de conflito, tensão e adrenalina dentro de um ambiente nada convencional ou amistoso de uma penitenciária. Apesar de se passar dentro desse contexto, o filme não cai na vala comum dos filmes do gênero, exatamente por não se ater às problemáticas naturais do ambiente.

Lembrando as palavras do nosso colega cinemafioso Lincoln Ferdinand, Hollywood faz remakes de filmes estrangeiros por um motivo simples: estadunidenses têm preguiça de ler legenda. Premiado com 8 prêmios Goya, hollywood já planeja um remake do longa para esse ano.

Pois é, considero que Raul Seixas foi cristalinamente correto quando disse que preferia ser uma metamorfose ambulante do que ter uma velha opinião formada sobre tudo. Talvez ele imaginasse que a linha que nos separa de alguma coisa é muito tênue, como de fato é, e Cela 211 consegue com maestria ímpar nos colocar dentro desse jogo.

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Victor Lúcio

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