Capitalismo: Uma História de Amor (2009)

Documentários me causam certo fascínio. A possibilidade de se contar algo sem o auxílio de “atores” e cenários, apenas jogando com uma boa seleção de imagens e um bom roteiro enche meus olhos e prende a minha atenção como ninguém.

E se esse documentário tiver mais de 2 horas de duração? A possibilidade de se tornar enfadonho é grande, e se a temática principal for capitalismo então… Mas esses não são, definitivamente, atributos imputáveis a Capitalismo: Uma História de Amor.

Apesar de ser um admirador confesso das suas obras, é preciso admitir: Michael Moore mais uma vez foi bem, muito bem. Pra quem já conhece Farenheit: 11 de setembro, Tiros em columbine, Sicko, não vou precisar dizer muita coisa pra provar que mais uma vez ele acertou na mão. Há quem o chame de pretensioso e manipulador, mas é o risco inerente à arte de ser comunicador, a linha que separa informação e manipulação é muito tênue.

Se você acha que lá vem mais um daqueles papos chatos a respeito do “sistema capitalista”, se engana. O mote da obra é desmistificar certos engodos criados e mostrar o quanto a sociedade estadunidense é subserviente ao dinheiro das grandes corporações e refém de megaoperações no mercado financeiro que quando dão erradas, o contribuinte paga sem mesmo saber. O que pra mim pode ser resumido em uma frase de Fábio Konder Comparato “o capitalismo se sustenta sobre a sedução e a corrupção”.

Falar do tema não é nada fácil. O risco do discurso se tornar apocalíptico é iminente, as chances de se fazer uma abordagem rasa assedia o roteiro a todo momento. Dos muitos que se aventuram, poucos conseguem passar à margem dessas situações e ainda tornar o assunto digerível pelo público. Um assunto pesado, denso e polêmico, se torna leve e provocador sem precisar caminhar no senso comum e na superficialidade.

A certa altura diálogos como esse acontecem:

– Você sabe o que é um derivativo?

– É uma aposta secundária num ativo subjacente. Pode ter uma ação e uma opção sobre ela, e essa opção sobre ela lhe permite o privilégio, mas não a obrigação de comprar ou vender. Como explicar? Você tem a opção de decidir se quer ou não correr esse risco. Vou explicar de outra forma: o preço do derivativo é baseado no preço de outra coisa, é como uma equação de 2º grau.”

– Mas há um explicação bem melhor e mais clara: derivativos são nada mais que complicados sistemas de aposta.   

Provocador por essência e com montagem e plasticidade digna de grandes filmes, a obra tem capacidade para prender a atenção até de quem não tem interesse algum pelo tema, indo além do que normalmente se encontra em filmes do gênero.

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Victor Lúcio

5 respostas para Capitalismo: Uma História de Amor (2009)

  1. Também sou fã do diretor, e talvez considere esse seu melhor trabalho. Não só aqui, mas em todos seus filmes Moore consegue envolver seu público nos mais diversos temas, e realmente fazê-lo se preocupar ou, no mínimo, conscientizar-se sobre o que expõe (mesmo que vez por outra é necessário que ele pese na trilha sonora e no drama e torne-se manipulador, como você comenta). Ver CAPITALISMO: UMA HISTÓRIA DE AMOR junto ao primeiro filme de Moore, ROGER E EU, é um prazer: os temas se cruzam, e se observa que, em todos esses anos, a situação pouco mudou. Tampouco o diretor, que continua incisivo como sempre.

    • Victor Lucio disse:

      Concordo. Documentário pra mim, seja qual tema for, é preciso ser incisivo, porque cinema blasé ninguém merece.

  2. dadada disse:

    Ele fala de varios problemas, mostrando alguns culpados, legal isso.

    Porem, ele se “esquece” de muitas pessoas, acontecimentos, causas etc…

    Vai no site dele e pergunta pq ele apoia obama ou os democratas. Só da resposta generica, ate o pessoal la tava discutindo e o topico foi deletado lol.

    • Victor Lucio disse:

      Bem lembrado!

      Olhando os últimos passos do governo Obama, é possível aplicar a ele a crítica do documentário. Os últimos pacotes de bondade financeira do seu governo conseguiram ser ainda maiores do que o governo Bush.

      Realmente, essa foi uma coisa que estranhei no documentário. Obama é tratado como um verdadeiro salvador da pátria, meio que um Lula de 2002.

      Infelizmente, só o tempo é que poderá justificar ou culpar Obama.

      Obrigado pelo comentário!

  3. vinnyy disse:

    Gostei.

    Mas o engraçado é que ele fala mal do Bush, porém apóia o Obama. E o Obama pode não parecer, mas é 10x mais corrupto que o Bush. O Bush só não sabia esconder as coisas, já esse Obama, até a certidão de nascimento dele é falsa.

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