A Mulher Faz o Homem (1939)

E aí, cinefilada! Bom, muito tenho me arriscado a falar de clássicos do cinema. É um risco que gosto de correr, sabe? Posso não ter bagagem suficiente para tal, mas tão bom quanto assistir a obras assim é comentar sobre elas; me empolgo. E Frank Capra, para mim, é uma fábrica de grandes filmes. Sou muito fã dele. Sempre com o intento de deixar grandes mensagens, lições de vida que passam longe de serem clichês, Capra cria fábulas de fábulas. Como assim?! Vamos falar um pouco de história…

Quando Esopo, como escravo na Grécia Antiga, foi incumbido de ensinar crianças sobre ética, moral, filosofia… ele teve que bolar um plano para que esses assuntos não parecessem tão chatos para o seu público. Criou então histórias que personificavam animais e possuíam um fundo moral – as fábulas. Essa moda caiu e só voltou lá pelo século XVII quando Jean de La Fontaine as redescobriu. Mas, moda que é moda sai e volta. Só no século XX foi que um cara chamado Walt Disney as trouxe de volta e ratificou de vez as fábulas, no cinema principalmente.

Achei que seria legal contar essas informações. Até porque, além ter um pouco de história do cinema, isso me dá um embasamento para explicar o que eu quis dizer com criar fábulas de fábulas. Então. Capra e seus roteiristas, de uma forma genial, personificam a própria ética, a moral, bondade, o altruísmo em seus personagens fazendo destes exemplos de seres humanos; os personagens contêm a fábula. E o público-alvo da vez somos nós, cinéfilos.

O protagonista do longa Mr. Smith Goes to Washington (o inigualável James Stewart) é tudo aquilo que citei acima – acrescido de muito patriotismo – encarnado. Jefferson Smith é um jovem caipira que se arrisca, em meio a um contexto que mais vale assistir do que resenhar, ir até Washington assumir o cargo de senador. Um personagem quixotano que ninguém melhor que o talentoso preferido de Capra e Hitchcock, Stewart, para interpretá-lo.

Deslumbrado com a grandiosidade da política de seu país e convicto de ter ali grandes exemplos de seres humanos que representavam em favor do bem comum, quão grande baque sofre ao descobrir que tudo, na verdade, era (im)pura corrupção. Em meio a falcatruas políticas, Mr. Smith com a ajuda de Clarissa Saunders (Jean Arthur) – daí a tradução meio esquisita, para variar, do título em português – porta-se, permitam-me a intertextualidade com a obra de Zinnemann, como o ‘O homem que não vendeu sua alma’. O desfecho do filme é genial. Puxa vida, como é genial! Vibrei e chorei, mais uma vez, frente à direção de Frank Capra. Apesar de ser de 1939, mais atual impossível. Coloquem mais esse na lista de vocês. Valeu, galera!

PS.: Não posso deixar de agradecer a meu sábio professor de literatura, Adriano Alves, que me ensinou acerca de quase tudo que falei acima.

________________________________

Ezequiel Fernandes

2 respostas para A Mulher Faz o Homem (1939)

  1. Bacana seu texto. De toda produção de Capra, este é meu filme favorito. Acho que daria uma sessão dupla bem interessante com o vencedor de Melhor Filme de 1950, A GRANDE ILUSÃO — dois tratados sobre como o homem reage ao meio (político, aqui) que o cerca.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: