O Escafandro e a Borboleta (2007)

Nas grandes tragédias, o homem reavalia seus conceitos e reflete com maior sensibilidade a respeito de seu passado. A dor tem o incrível potencial de aguçar a humanidade de quem sofre.

“O Escafandro e a Borboleta” é uma adaptação do romance homônimo de Jean-Dominique Balby, editor da revista Elle, que, após um acidente vascular cerebral, teve todo o corpo paralisado, exceto o olho esquerdo. Foi por meio deste olho que Balby conseguiu estabelecer comunicação com pessoas próximas e escrever um livro.

Em grande parte do filme, enxergamos o mundo da forma como Balby o enxergava em seu estado vegetativo, escutamos seus pensamentos, viajamos em sua imaginação e revivemos suas lembranças. Acompanhamos o bater de asas de uma borboleta que, mesmo presa em um escafandro, era capaz voar.

O cinema tem a característica de gerar a identificação do espectador com a realidade proposta pelo filme. É um processo quase hipnótico, de forma que, em filmes de terror, sentimos medo; em filmes dramáticos, choramos; em filmes de suspense, ficamos tensos. Porém estamos confortáveis na cadeira, e, mesmo sabendo que aquela projeção é uma farsa, somos envolvidos pelas cenas.

A recompensa, em casos de filmes que passam sentimentos sofríveis, vem com o final, quando você percebe que tudo está bem, sua mãe está viva, sua renda não é tão miserável como você imaginava ou que não existem zumbis de verdade no meio da rua comendo gente. Bem vindo à boa e tranquila vida real.

Depois do final de “O Escafandro e a Borboleta”, você chega à conclusão de que seus problemas são pequenos demais para serem levados a sério, e que a felicidade pode ser simples como um piscar de olhos.

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Marcelo Cardins

2 respostas para O Escafandro e a Borboleta (2007)

  1. É realmente incrível a concepção desse filme — vindo de uma história igualmente inacreditável: os enquadramentos desajeitados, as escolhas de fotografia e direção se traduzem numa obra por vezes desconfortante; como você diz, consegue nos fazer entender, de certa forma, como o protagonista se sentia. Experiência excelente.

  2. Emmanuela disse:

    Já vi esse filme faz algum tempo, mas certamente não esqueci a emoção que senti. Deu vontade de rever.

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