Um Festival em Cannes (2001)

Imagino que todo cinéfilo já sonhou em assistir aos grandes eventos do cinema mundial, participar das premiações e, quiçá, levar um troféu para casa. O mundo cinematográfico parece mágico (e é mesmo), mas, de fato, há muito mais trambique, negociações, fachadas do que magia nesse meio – ou talvez tudo isso também faça parte dessa magia. Esse filme aqui mostra um pouco do que está por trás da tela.

O filme se desenrola na cidade francesa de Cannes, cenário de um dos eventos mais importantes do cinema, em plena temporada de premiações. O longa é bem interessante, pois aborda várias facetas: uma atriz com pouca grana que busca seu primeiro trabalho como diretora; um “faz tudo” que tanta ganhar seu espaço nesse mundo na lábia; um produtor comercial hollywoodiano competindo espaço com o cinema independente; uma atriz de 60 anos que tem que decidir entre o papel principal e cachê baixo ou o papel de “mãe” e muitas cifras; um diretor famoso estagnado e ainda uma atriz de teatro que ganhou ótimas críticas no filme do momento de Cannes e que deseja não se ensoberbecer devido o estrelismo que a espera. Achou muito? Ainda há alguns secundários.

Embora pareça um filme bagunçado pelo excesso de informações que tem, o diretor Henry Jaglom conseguiu interligar todas essas facetas de uma forma bem madura, digamos assim. Todas essas personagens compartilham o conflito principal (que é o mundo do cinema) em meio a vários romances, mas sempre lembrando que romance é romance, negócios à parte. Eu nunca tinha ouvido a respeito desse filme, mas gostei de verdade. Gostei muito. Achei original, uma metalinguagem bem feita e bons atores com bons personagens. A obra é bem leve e me convenceu.

De fato, o filme me surpreendeu no bom sentido. Depois que assisti, liguei o PC e fui procurar sobre ele e só achei uma página em inglês na Wikipédia; fiquei decepcionado. Não sei da opinião de ninguém, nem de crítica alguma; parece ser um filme sem prêmios e que ninguém o tem como preferido. Tenho receio de dizer o que direi agora, pois sou meio clichê e gosto de filmes que os mais entendidos descartam, mas se já não tinha, o longa ganhou seu primeiro fã: eu.

Se, segundo quem realmente entende do assunto o filme não merece notoriedade – pois foi o que me pareceu –, uma coisa é certa: ele funcionou muito bem para mostrar que existem muitos filmes despercebidos por aí que têm a sua qualidade. Nesse aqui eu vi muita e, graças a quem inventou esse ditado, “gosto não se discute”. E uma delas, que não posso deixar de citar, é a trilha sonora. Quem melhor do que a música-símbolo da cultura francesa, de Edith Piaf, para tocar? Foi ótimo passar o domingo com Piaf na cabeça. “Cantei” tanto que meu irmão mandou que eu calasse a boca. Quando silenciei, bastaram cinco minutos para ouvir do meu quarto alguém assobiando ‘La vie en rose’ na sala.

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Ezequiel Fernandes

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